Casinos: do glamour à loucura

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Casinos: da loucura ao glamour

Inúmeras são as histórias que se ouvem dos efeitos do jogo compulsivo, desde a loucura ao suicídio. Esta é a história de Regina, uma mulher que jogou durante anos consecutivos e esteve muito perto da loucura. Em três anos, Regina, gastou o dinheiro que acumulou durante uma vida inteira, as poupanças para a escola dos filhos e as heranças de família. Toda a sua energia era simplesmente canalizada para o Jogo. Tudo começou quando o seu marido decidiu divorciar-se e o jogo funcionou como uma anestesia mental. A sorte de principiante foi o princípio do fim. “Quanto mais se ganha, mais se quer ganhar e quanto mais se perde, mais se quer recuperar o dinheiro perdido.  A sensação de ganhar é muito parecida com a sensação de se estar quase a ganhar”. Na maioria das noites, saia do casino sem dinheiro nos bolsos e as promessas de nunca mais entrar nas salas eram imensas, embora só durassem poucas horas, pois a necessidade de entrar novamente no casino era enorme. Perdeu tudo, perdeu os filhos, perdeu o emprego, perdeu a casa, entregou-se à loucura até uma certa manhã que uma amiga a levou a um dos encontros dos jogadores anónimos onde começou a sua recuperação.

Como é que esta história se reflecte na minha experiência?

Na primeira vez que entrei num casino, não tive sorte de principiante. Perdi pouco dinheiro, mas que rapidamente assumi que poderia ter usado em algo mais útil. Fiquei surpreendida como não vi o tempo passar, passei quase duas horas dentro do casino, passeando pelas várias máquinas a ver qual delas me dava um sorriso. Quando perdi o dinheiro, percebi que os casinos estavam engendrados de tal forma que os jogadores que ali se encontravam sentiam-se confortáveis e na maior parte das vezes optimistas.

Comigo estavam várias pessoas animadas com o ambiente do casino, e portanto aí começou a minha análise crítica, aliada alguma pesquisa para escrever este artigo, de como é que as pessoas se sentem atraídas pelo casino. Se pensarmos bem, o design dos casinos por dentro e por fora é bastante apelativo, o visual sempre com luzes a piscar, o som das moedas das máquinas, as sirenes e as campainhas tem uma função estimulante e fascinante ao mesmo tempo. O sentimento de euforia é interessante, porque mesmo tendo perdido o meu dinheiro, olhando a volta e vendo a cara e a reacção de satisfação das pessoas por terem ganho algum dinheiro, faz com que as pessoas à volta insistam mais uma vez de modo a fazerem parte do sentimento de vitória. Lembrou-me do filme Percy Jackson, quando lhes são oferecidas as flores de lótus que faziam com que as pessoas se esquecessem da realidade e do propósito de ali estarem. Certas zonas do casino, tem uma iluminação especial, não tão forte com a zona das máquinas, mas baixa e suave, especialmente à volta da roleta. Isto faz com que as pessoas se sintam bem, num ambiente tranquilo e cómodo, propício para se fazer algo que dá prazer como o jogo. Aliado a isso, o álcool é geralmente mais barato ou grátis. Este é normalmente servido em bandejas, trazidas por meninas com muito boa aparência. Portanto, mesmo os muito bons jogadores, sob o efeito do álcool, acabam por ter diminuído a sua capacidade de raciocinar rápida e portanto de tomar as decisões mais adequadas. Para quem alguma vez já passou do seu limite no álcool, de certeza que se lembra, de como foi rapidamente se fica liberal com o dinheiro.

O Glamour do Casino

Para quem gosta de glamour, os casinos são na sua grande maioria locais bastante apelativos. Para além do ambiente que é “fashion”, as pessoas vão geralmente muito bem vestidas, as meninas (quase modelos) passeando-se pelos corredores, as salas de jogos privadas que criam um ambiente misterioso, para além de outras características mais simples ou talvez mais complexas como a própria arquitectura do casino.

Um dos casinos que mais me fascinou foi o Casino Lisboa em Macau. Este casino foi construído no fim dos anos 60 e na década seguinte foi construído o hotel à volta do casino, que foi aumentando com o passar dos anos. Quem passa em frente ao Casino Lisboa, tem vontade de entrar pois o som das moedas, das campainhas e das sirenes é incessante. Existe um total de 2632 quartos anexados ao casino. Para além do hotel, existe um restaurante francês chamado Robuchon á Galera, que em 2008 recebeu 3 estrelas Michelin. Simplesmente Fascinante!

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