Amor aos caracóis

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Antes de mais nada, uma pequena introdução à menina-mulher que está em frente ao ecrã. Eu, ThinkerBella, sou uma jovem de 25 anos (quebrando um tabu qualquer que diz que não se fala da idade das mulheres…o medo do tempo…isto é material para um outro ‘’post’’) natural do mundo… nascida em Lisboa, vivida em Luanda, Paris, Cape Town e agora Luanda, outra vez.

Trabalho na indústria que move o país (Angola), fascinante, sim!…Mas já aparecia concorrência, o país precisa, o povo pede!
Acho que vão acabar por me conhecer melhor pela maneira de escrever…pelo ‘’cheiro’’ das palavras e o ‘’som’’ da pontuação!

Agora ao que interessa!
Bem, primeiro, porquê em Português? Porque é um assunto que está tão perto do meu coração, que só a minha língua consegue fazer passar a mensagem que quero passar!

Desculpem-me os leitores que não a percebem… :(

 e por favor, não usem o google para traduzir o que está aqui escrito… prometo que vão acabar por perceber ainda menos! 😛

Agora ao que realmente interessa!!!
A relação com o cabelo começa desde bem cedo. As meninas (e rapazes) crescem assombradas por ideias como: bom cabelo, cabelo difícil de pentear, cremes milagrosos, carapinha, etc.

São atormentadas pelos domingos depois da praia, em que se lava, desembaraça e penteia o cabelo para mais uma semana!Conceitos, se calhar, alienígenas para aquelas que não tiveram que passar por isso!…

Mais tarde, a escola e a sociedade fazem a sua parte, sendo ‘’cruéis’’ com as que não se encaixam no ‘’padrão’’ de beleza da altura!
Conceito, que há bem pouco tempo descobri não ser crueldade (daí ter utilizado as aspas acima)… é pura e simples ‘’ignorância’’! A sociedade absorve as publicidades das revistas, televisão, etc; cataloga as pessoas por cor, classe social, bairro onde vivem e sim, cabelo! São cegadas por aquilo que estão habituadas a ver como sendo bonito e não conseguem descodificar o vasto mundo das diferenças.

O uso do cabelo natural é (ainda hoje) visto como ‘’desleixo’’ ou pior, em algumas sociedades, como falta de dinheiro para desfrisá-lo, usar extensões, ou fazer tratamentos super avançados que esturricam os caracolitos!

Se calhar convém dizer agora que não sou contra o uso de produtos químicos, extensões, ou outras artimanhas para mudar o visual! Aliás, estaria a fazer igualzinho à sociedade ‘’ignorante’’ se o fizesse!

Este post vai para além de modas, de estética… o que estou sempre a tentar passar, quando falo do meu cabelo… é o facto de ter sido a falta dele a fazer-me perceber que sou bem mais do que ele! E que a minha relação com ele fazia-me prisioneira de um creme, uma cabeleireira, um elástico, um secador, etc.

Portanto a mensagem que quero passar é esta: a partir do momento que vi a máquina 2 passar na minha cabeça e o cabelo, que me fez prisioneira durante anos cair ao chão…senti-me estranhamente livre! E aprendi que a beleza vai tão além dos caracóis, lisos, curtos ou compridos…a beleza vai e vem de tão longe!

E o que mais gosto é da caminhada para a descoberta dessa beleza, desse eu, dessa fonte de amor próprio que não depende de um adereço, um batom, uma roupa…
E o que desejo a todas as meninas e mulheres (e homens, claro!) é isso: encontrem dentro de vocês a fonte de amor próprio… e acreditem, ela pouco tem a ver com o que está por fora! Aliás, quando descoberta, ela irradia tanta beleza, que os poros não a conseguem conter!

by ThinkerBella